Dhampyr


[Sede do Checkmate – Langley, Virginia]
[0800 horas – Observatório da Sala de interrogatório]

- “Seu reporte, Mr. Jagger.”- Amanda Waller falou, ao que ela entrou na sala.
- “Nós temos o alvo em custódia, Chefe.” - Tommy Jagger, Knight do Checkmate respondeu.

Waller olhou para ele com uma certa satisfação ao que ele apresentou a pasta com os dados do alvo.

- “Ele deu muito trabalho?” - Ela perguntou
- “O suficiente. Por sorte, Vertigo era parte da Força-Tarefa..” - Jagger respondeu - “Uma vez pego pelos poderes desorientadores do Conde, nem o gênio-prodígio pôde resistir.”
- “E o equipamento dele?” - Ela continuou à perguntar
- “Apreendido. Nossos engenheiros estão estudando a tecnologia.” - Jagger respondeu. - “Pessoalmente, eu achei suberba o que o garoto construiu, ainda que eu ache que ele é um pouco viciado demais em scy-fy...”
- “Scy-Fy?” - Waller perguntou, e olhando para as fotos, ela imediatamenre entendeu o comentário do agente - “Entendi...”

Ela virou-se para a grande janela, onde na sala vizinha, Faust Ferdinand Penkala-Novak estava, após ter sido capturado no porto de Baltimore, Maryland. Waller observou ao que o interrogador entrou na sala, e sentou-se na cadeira do lado oposto da mesa ao prisioneiro.

Waller sabia quem Novak era. Ela sabia o que ele tinha feito, e por que ele havia vindo para os Estados Unidos. Agora, ela iria descobrir se ele era material para a sua nova equipe:

[Interrogatório do Prisioneiro No. 130312]
[Penkala-Novak, Faust Ferdinand]

Faust estava naquela sala de paredes acrílicas brancas faziam algumas horas, mas como ele não tinha nenhum relógio, ele não tinha certeza. Ele estava sendo monitorado, disso ele estava certo. Quem quer que fosse aqueles homens que o capturaram, eles não eram do Departamento de Imigração. Ele apostava na CIA, ao que tudo alí parecia muito cheio de segredos...

A porta se abriu do lado oposto da sala, e ele ouviu passos às suas costas. Ele observou ao que homem jovem, caucasiano, de cabelo escovinha e terno cinza sentou-se na cadeira à frente dele, colocando uma pasta e um caderno de anotações na mesa.

Sem falar nada, o homem abriu a pasta, e retirou do bolso de seu paletó uma caneta, apertando em uma das extremidades, fazendo surgir a ponta com a qual ele escreveria.

Sem se virar para Faust, ele começou a falar:

- “Faust Ferdinand Penkala-Novak” - O Interrogador leu o que estava escrito na identidade. - “Cidadão da República da Croácia. Você está bem longe de casa...”

Silêncio... Faust se manteve em silêncio. O Interrogador então o fitou, e ele continuou em silêncio. Novak notou ao que o Interrogador olhou de relançe para uma das paredes. Era alí que os verdadeiros manda-chuvas, aqueles que haviam mandado este burocrata para interroga-lo, estavam...

- “Você fala inglês?” - O Interrogador perguntou.

Mais silêncio... O interrogador soltou um palavrão em voz baixa, se amaldiçoando por ter que ir chamar um tradutor.

- “Por que eu estou aqui?” - Faust perguntou.
- “Ah, então você fala inglês.” - O Interrogador exclamou.
- “Por que eu estou aqui?” - ele insistiu.
- “Bem, garoto, você tentou entrar ilegalmente no país, resistiu voz de prisão e agrediu dois agentes portuários.” - O Interrogador falou, num tom sarcástico - “Eu não sei... por que você acha que você está aqui?”
- “Você não é da Imigração, nem da polícia.” - Faust retrucou - “Por que eu estou aqui?”

O Interrogador deu uma risada leve ao que ele arrumou seus papéis e falou:

- “Meus superiores estão muito interessados naquele traje que você estava usando.”
- “Eu Comprei no E-Bay.” - Faust respondeu.
- “Eu não acho que o E-Bay tenha começado à vender exo-trajes experimentais de combate ainda.” - O Interrogador falou - “E muito menos com tecnologia roubada do Consórsio Europeu.”
- “Não é tecnologia roubada.” - Faust respondeu - “E se você sabe meu nome, você também sabe disso.”
- “Sim, eu sei.” - O Interrogador confirmou - “Por que você não conta por que você está aqui?”
- “Eu vim assistir a final da NBA.” - Faust respondeu, com um sorriso sarcástico.

O Interrogador respondeu ao sorriso sarcástico dele com seriedade, e falou:

- “Eu não sei se você sabe, mas neste país você pode ser julgado como adulto por assaulto à um oficial da lei.” - Ele falou. - “Ou, se for muito trabalho, nós podemos lhe deportar de volta para a Croácia.”

A menção da possibilidade de deportação fez o sorriso no rosto de Faust desaparecer...

- “Se eu voltar lá, eu vou estar morto ao desembarcar.” - Ele declarou.
- “Nós sabemos disso também.” - O Interrogador falou - “Então por que você não me ajuda à lhe ajudar?”

Novak ficou em silêncio por um momento. Quem quer que estivesse observando-o estava esperando por isso. E somente quando os manda-chuvas se revelassem que ele iria saber por que ele estava alí...

- “Ok.”
- “Bom, você é um garoto inteligente.” - O Interrogador falou - “vamos começar de novo: nome?”
- “Faust Ferdinand Penkala-Novak”
- “Nacionalidade?”
- “Croata.”
- “Idade?”
- “17 anos, três meses e 20 dias.”

O interrogador olhou para Novak por um momento, e continuou:

- “Pais?”
- “Dimitri Nikola e Allia Marie.” - Faust falou - “Ambos falecidos.”
- “Meus pesames.” - O Interrogador falou por educação - “Algum outro familiar? Avós, Tios... prima?”

Faust deu um olhar fulminante para o interrogador. Quem quer que fossem aquelas pessoas, eles eram bons...

- “Ylliana Tesla.” - Faust falou.
- “Ela reside onde?”
- “Gotham City, New Jersey.” - Novak respondeu.
- “E você veio aqui para vê-la?”
- “Ela está em perigo.”
- “Perigo por que?”

Ele pegou o copo com água sobre a mesa, e bebendo, falou:

- “Por que ela é um alvo para a máfia do leste europeu.”
- “Um alvo? Por que? O que ela fez?”

Faust fitou o Interrogador com um olhar sério e falou:

- “Ela não fez nada.” - ele declarou - “Eu que fiz.”

O interrogador não falou nada. Ele baixou os olhos para a pasta, e folheou algumas páginas... Faust não ficou surpreso ao ver as fotos de suas vítimas naquele dossiê.  Ele não foi exatamente discreto em suas ações. Cada um daqueles homens nas fotos foi um ato de justiça, de punição. Ele não se arrependia de nenhum deles. Eles tomaram a vida que ele tinha, e ele tomou a vida deles. Era os que escaparam que lhe preocupavam. Os que ele havia falhado em punir, e que agora estavam na América, e que, se encontrassem Ylliana, iriam extrair vingança através dela.

Na sala de observação, Waller prosseguiu ouvindo os detalhes da saga de morte e conspiração que o jovem prisioneiro relatava. Atrás dela, Ben Turner, o herói conhecido como Bronze Tiger, também escutava à tudo:

- “Eu não estou tão certo à respeito desse candidato.” - Turner falou. - “Ele não tem nenhum remorso pelas mortes que ele causou.”
- “Eles estupraram e executaram a mãe e a tia dele quando ele ainda era uma criança e mataram o pai e os avós numa queima de arquivo.” - Waller retrucou - “Eu não teria remorso também.”
- “Você disse que ele era um gênio.” - Turner falou.
- “Você viu o traje. E se não fosse por Werner, ele teria escapado.” - Waller argumentou.

Turner olhou para as imagens gravadas da luta no porto que estava passando no monitor:

- “E quanto à prima?”
- “Ela está ilegalmente no país com amigos da família.” - Waller falou - “Nós temos dois agentes mantendo ela sob vigilância."
- “Pra proteção dela, eu espero.” - Turner falou.
- “Sim, pra proteção dela.”

Os dois observaram o prisioneiro pela janela novamente.

- “Ele certamente tem talentos que nós podemos usar, e enquanto nós mantivermos essa jovem segura, nós o teremos em cheque.” - Waller disse.
- “O perfil psicológico dele não dá nenhum indicativo de que ele seria leal.”

Waller aproximou-se do plexiglass e inclinando-se nele, ela fitou o prisioneiro e falou:

- “Ele destruiu as fábricas clandestinas de armamentos que estavam sendo vendidos para os Sérbios, e deixou a tecnologia que o pai dele construiu para o governo. Ele foi honesto o suficiente para não traír o país, assim como o pai dele.” - Ela disse - “E ele deixou tudo para trás para vir até aqui proteger a prima. Tem certas coisas, Mr. Turner, que o perfil psicológico não mostra.”

Turner não falou mais nada, limitando-se à seguir a chefe dele para a porta...


Dentro da sala de interrogação, Faust ouviu novamente à porta se abrir, e ele viu ao que o Interrogador, sem dizer uma palavra, se levantou e caminhou para fora. Logo ele se viu diante de uma mulher negra, vestida com um tailleur, e um homem negro de porte atlético.

- “Olá, Mr. Novak, meu nome é Amanda Waller, e eu tenho uma proposta a lhe fazer...”



[Dias Depois]
[J. Edgar Hoover Juvenile Detention Center – Rockville, Maryland]
[1300 horas – Quarto 12A]


Aquele era um bom dia para Faust Novak. A proposta que Diretora Waller lhe tinha feito era razoável, e lhe supria dois de seus objetivos: Manter sua prima segura e manter acesso à sua tecnologia. Ele havia sido cândido com ela: em face da situação atual dele, a proposta dela era aceitável. E troca de seus serviços, ele teria um teto, uma cama, sem se preocupar com minas enterradas ou balas perdidas. Ele havia deixado Croácia para trás; algum dia ele voltaria à ver os lagos de Lika e a costa do Mar Adriático, mas isso não seria por um bom tempo. Por agora, aquela era a vida dele, podia não ser perfeita, mas era aceitável.

Ele observou pela janela do seu 'quarto' (um eufemismo, ao que ao invés de celas comuns, ele tinha um quarto, onde ele era monitorado o tempo todo, com porta e paredes blindadas, que tinha uma fechadura eletrônica.) ao que Ylliana entrou no quarto que a havia trazido. Ela olhou para cima, e vendo-o na janela, ela deu um aceno de mão, e mandou um beijo para ele. Faust deu um sorriso confortante para ela. Waller havia sido magnânima em permitir que ela o visitasse. Ele estava em débito com a Diretora, e ele sabia disso.

Faziam apenas alguns dias desde que ele havia sido transferido de onde ele estava em Virginia para esta prisão de segurança máxima camuflada em Centro Juvenil. Ele havia visto outros. A interação com eles havia sido mínima, mas Faust sabia que eles estavam ali pelo mesmo motivo. Todos estavam à serviço da Diretora e do Projeto. Deixando seu quarto, ele seguiu direto na direção do elevador. Para uma prisão de segurança máxima, era interessante notar a ausência de guardas. Não que eles não estivessem, lá, pelo contrário, Faust havia visto em primeira mão todos os guardas dias antes, quando eles contiveram uma prisioneira problemática. O segredo da presença (invisível) deles era o sistema de corredores e salas paralelas dentro do prédio, o que permitia à eles live acesso à cada quarto e a todas as áreas da prisão rapidamente e sem que os internos pudessem notar. E não que eles precisassem estar visíveis, ao que com o número de câmeras, microfones, sensores e blast doors que aquele local tinha, era fácil conter os indivíduos mais perigosos com um simples comando, isolando-os e botando-os fora de combate seja liberando gás, ou molhando-os com os sprinklers e eletrocutando-os até a submissão.

Os guardas só foram usados para efeito moral, Faust estava certo disso, afinal, a Diretora sabia bem o efeito psicológico de símbolos de autoridade e repressão. Então, a ausência de guardas nos corredores criava um paradoxo interessante. Enquanto eles tinham uma aparência de liberdade de transitar dentro das dependências do Centro de Detenção, eles na verdade, era muito mais vigiados do que prisioneiros em uma prisão convencional, com guardas armados, cães de ataques, holofotes e arame farpado. Cada passo, cada palavra, cada movimento de cada um dos prisioneiros ali era monitorado o tempo todo. Waller mantinha todos eles numa rédea muito curta, e aquela falsa sensação de liberdade era um teste.

Aquele não era um projeto para criminosos irremediáveis, era um projeto para aqueles que ainda podiam ser reformados. Faust estava prestando atenção quando a Diretora lhe fez a oferta. O teste de Waller para os internos visava separar o joio do trigo. O jovem negro de modos grosseiros e atitude petulante que ele havia visto  quatro dias atrás havia se gabado por ser especial e estar ali. Ele fazia piada sobre aquele “resort” e de como ele iria tirar tudo de letra, inclusive enganando os guardas a Diretora. Tipico Negro Americano... e faziam três noites desde que ele não foi mais visto.

Ele encostou seu braço no scanner do elevador. Todos os internos tinha um implante subcutâneo que lhes identificava e que era também usado para monitorá-los. Aquele era o implante que eles abertamente mostravam aos internos, mas Faust tinha certeza que não era o único implante que eles recebiam. Algumas das injeções que os médicos lhe deram sob o pretexto de vacinação eram um pouco grossas e viscosas demais... Ele sabia reconhecer nanotecnologia quando ele estava diante de um exemplar. Afinal de contas, ele era uma autoridade no assunto.

Ele imaginava que os nanites deveriam circular por áreas chaves do corpo, como coração, coluna vertebral centros de equilíbrio e conexões neurais... Waller podia iniciar um ataque cardíaco ou cegar e  fazer vertiginoso qualquer encrenqueiro com o toque de um botão. Ela era fria e medódica; Faust certamente admirava à Diretora.


Ao que o elevador começou a descer nos níveis abaixo do prédio de fachada, Ele tirou do bolso seu bloco de notas.. Podia ser anacrônico se comparado aos PDA's e Tablets (não que os internos tivessem livre acesso à estes itens), mas era dinâmico para as pequenas ideias, e coisas que ele desejava manter privado. Ylliana era quase uma mulher agora. Ela era mais velha que ele dois anos, e estava estudando na faculdade. Por tudo que aconteceu à ela antes, ela merecia uma vida decente e boa,  e ele iria fazer o possível para garantir que ela tivesse o que ela merecia.

Waller tinha arranjado para que ela recebesse a transferência do banco em Berna. Faust tinha certeza que ela faria bom uso daquela quantia, e ele não poderia dormir em paz se ele tivesse ficado com o dinheiro que havia causado tanta morte em sua casa. E ele não tinha uso para nem um centavo ali dentro. Aliás, seria interessante descobrir o que serviria de moeda dentro da instituição, ao que todos ali eram de menores e a idade mínima para fumantes no estado de Maryland era 21 anos.. De todos os itens ao quais eles tinham acesso, ele teorizou que possivelmente as barras de chocolate e cereais que eles eram servidos durante as refeições tinha o maior “potencial de mercado”. Eles poderiam durar meses dentro da embalagem selada se fossem guardados em um local seco e frio, e tinham a menor chance de rejeição; ele nunca havia conhecido um jovem que não gostasse de doces... Ao que as portas do elevador se abriram, ele se viu diante de outra porta de plexiglass com um scanner, e um túnel concreto por trás.

Conforme a nova rotina dele no local, ele apresentou o seu braço ao scanner, que verificou o chip subcutâneo, retornando sua identificação positiva e lhe dando acesso ao bunker. Após descer um set de degraus, ele chegou às instalaçòes suberrâneas; O nível inferior tinha paredes de concreto e metal, possivelmente um remanescente dos anos 50, reformado com tecnologia militar de ponta, tipicamente Americano.

Ali sim, ele via guardas e o staff do local. Operadores, mecânicos, burocratas, enfermeiros, engenheiros. Ele se aproximou do laboratório, e viu Waller e Turner pelo plexiglass. Desta vez, não havia apenas um scanner, mas também um guarda armado. Ele extendeu seu braço para o scanner, sob o olhar do guarda, e após a identificação positiva, a fechadura eletrônica se abriu. Faust entrou no laboratório, pegou o jaleco branco do cabide e o colocou.

- “Boa Tarde, Diretora Waller, Agente Turner.” - Faust falou, ao que ele desceu mais um set de escadas.
- “A visita da sua prima foi agradável, eu espero.” - Waller falou, ao que ela verificava dados em um dos monitores. Dito e feito, ela iria lembra-lo de cara que ele devia à ela
- “Sim, foi.” - Faust respondeu - “Obrigado por ter feito à transferência para ela.”
- “De nada.” - Waller falou.

Ele aproximou-se da mesa, onde o projeto que ela lhe havia confiado estava espalhado metodicamente; Partes de rifles, projéteis e peças de blindagem.

- “Você conseguiu descobrir a procedência do rifle?” - Turner perguntou.


Faust virou-se para o terminal, e começou à teclar:


- “A customização é certamente Russa.” - Ele informou - “Eu pesquisei os ateliês capazes de modificar um Rifle Sniper AW G22 padrão para disparar um projétil eletromagnético, mas ficou claro para mim que nenhum estabelecimento no leste europeu poderia ter feito isso.”

Turner não gostou da notícia:

- “Então quer dizer que nós ainda estamos na estaca zero.” - Turner falou. - “Um diretor da Interpol em Tangier foi morto com essa arma, e nós quase perdemos um operativo importante na região. A CIA precisa descobrir quem foi o mandante antes que isso escale para uma crise.”
- “Não vai chegar à isso.” - Novak falou, ao que ele colocou na tela um site social - “Somente um punhado de indivíduos tem conhecimento de engenharia balística suficiente para conseguir com sucesso, eu cortei todos os que se encontram ao leste de Praga, e isto facilitou meu trabalho.”

Ele mostrou no site o nome de três indivíduo em um fórum para imigrantes ukranianos  pelo mundo, e disse:

- “Estes três, segundo os reportes da inteligência, trabalhavam no laboratório balístico na Criméia de onde esse modelo de PeM veio." - Novak falou - “Um vive em Liverpool, outro em Paris, e este terceiro, Dr. Sergei Tanaievich, mora em Cadíz, de onde sai um ferry à cada hora com destino à Tangier.”

Enquanto Turner olhava as informações no monitor, Novak escreveu numa folha de papel dois endereços, alguns telefones e o nome de um restaurante e mais algumas coisas:

- “Este é o endereço da casa e da oficina, com telefone, e este é restaurante onde ele vai se encontrar com a namorada virtual dele hoje às oito.” - Novak falou, e olhando para os relógios na parede, ele disse - “Vocês tem 3 horas para fazer busca e apreensão.”
- “Como você conseguiu tudo isso?” - Turner perguntou, meio desconfiado.
- “Por favor, Mr. Turner.” - Faust falou, levemente desdenhoso - “O homem usa o nome da mãe como senha de e-mail, foi tão fácil que beirou ao ridículo.”


Novak sentou-se na cadeira, esticando-se um pouco, enquanto Turner e Waller trocaram olhares de aprovação. Ele observou ao que o Agente deixou o laboratório, e Waller então falou:

- “Bem, você pensou num codinome?” - Ela perguntou
- “Eu tenho que usar um mesmo?” - Ele perguntou de volta, em muito entusiasmo.
- “Sim, tem. Eu não posso deixar meus operativos sairem por ai usando suas identidades verdadeiras.” - Waller falou - “Iriam surgir muitas questões de por que um jovem croata que está ilegalmente no país está à serviço do Governo.”
- “Entendi...” - ele falou, olhando para o seu traje que estava pendurado no manequim num canto da sala...
- “E por favor, algo original desta vez...” - Waller falou, olhando para o traje - “Você já está infringindo os direitos autorais da Disney demais com este design.”
- “Meu pai sempre foi fã de Scy-Fy, e ele amava Tron.” - Faust respondeu - “E a Light Suit tem estilo. Além do que, enquanto eu não construir um Lightcycle, eles não vão se incomodar com mais um Fanboy que faz cosplay.”


Waller tocou a malha negra, e falou:

- “Você fez bem mais que cosplay, Mr. Novak.” - A Diretora falou.
- “Dhampyr.” - Faust disse.
- “Perdão?” - Waller respondeu, sem entender.
- “Dhampyr. Meu codinome vai ser Dhampyr.” - Ele falou.


Ela virou-se para o jovem, ao que ele voltou para a mesa, e falou:

- “Este não parece muito com o nome de um gênio...” - Waller falou
- “Mas a ideia é justamente me desvincular do meu alter-ego.” - Ele respondeu.
- “Ok então... Dhampyr.” - Ela falou, deixando o som do nome repertir em sua mente - “O que o nome significa?”
- “É um monstro da mitologia dos balcãs. Um vampiro.” - Faust falou.
- “Vampiro? Você é meio branquelo, mas não chega à tanto.” - Ela falou, ainda tentando achar razão para que o codinome fizesse sentido.
- “O Capo do White Eagle me chamou assim, enquanto ele tentava fugir.” - Faust revelou, numa voz fria

E Amanda Waller entendeu então. As cicatrizes da tragédia e da cruzada de vingança e justiça que aquele Novak havia lutado não eram aparentes, mas estavam lá. Guerra e Crime fizeram um jovem que teria um futuro brilhante perder tudo, cair em desgraça e tornar-se um assassino.

Não era uma vida justa, ela sabia, mas as vezes, a injustiça quase parecia ser muito para suportar. A única referência da vida que lhe havia sido roubada era uma prima em outro continente. Para Novak ser reformado de fato, Ylliana Tesla seria uma peça fundamental, e que ela não hesitaria em usar...