Emyric


"Em determinado ponto desta vida de pecador eu conheci o amor, o ódio, a amizade, o desespero e por fim a fé e ela me salvou..."

-Emyric, o penitente.

O homem que se autodenomina Emyric não se recorda de parte de sua vida já que ele passou por terríveis experiências o que se pode analisar é que ele fazia parte da malfadada expedição de Nicola De Gaudi, um nobre religioso que inspirou um movimento para espalhar a fé em Furdermohr pelas distantes regiões do mundo.

De Gaudi achava que podia ensinar aos elfos pagãos o amor e a fraternidade de Furdermohr ... Ele estava errado ... Muito errado.
Nicola De Gaudi

Da expedição de cem almas que De Gaudi levou de Aldorin a cinco anos só restou uma viva alma e esta alquebrada, fragilizada e marcada de poucos fragmentos recorda nem mesmo seu nome. Não se sabe como o homem com todos os ferimentos que sofrera e acorrentado conseguira chegar a capital, mas por fim ele chegou e com o tempo os ferimentos foram curados e os grilhões rompidos, mas a mente ainda era prisioneira.

Dizem os relatos que Emyric acorda com gritos horríveis e o mesmo evita comentar  os conteúdos de seus pesadelos, mas ele admite em seu diário que não se trata de reviver horrores em sua mente de torturas ou de ver o fim funesto de seus companheiros, mas de um rosto ele vê sempre o mesmo rosto feminino, élfico em seus sonhos como um perverso lembrete que nem nos sonhos, nem longe e distante ele teria paz...

"Mas mesmo nas sombras pode haver luz."

-Emyric, o penitente.

Os membros do clero foram gentis com o noviço e compreensivos, mas queria saber o que tinha acontecido, mas não adiantava não fora somente o corpo que havia se quebrado algo na mente do rapaz também se fora... sua memória.

Não havendo outra opção primeiro lhe deram um nome, pois o rapaz não se recordava de nada só sabiam que o mesmo era da expedição devido ao vasculharem os pertences na algibeira, pois lá havia uma das cópias do livro sagrado que todo o evangelizador o membro havia recebido, pois eram distintas pela encadernação e pela dedicatória na primeira página assinada por De Gaudi e outras figuras da igreja.

E assim Emyric era revelado ao mundo conhecido tirando o fato das memórias e após haver se recuperado dos danos físicos o acólito tinha uma memória prodigiosa para os textos sagrados, algum conhecimento de auxilio médico e uma espantosa mente inquisitiva dedutiva que foi de muita presteza para descobrir transgressores de a principio coisas simples como quem estava roubando da cesta de doações a coisas mais sérias como o misterioso estuprador do distrito norte.

Algo curioso as correntes que Emyric trazia quando fora encontrado lhe foram devolvidas a seu próprio pedido, pois segundo ele eram um lembrete do presenciara e não lembrava o que significava um sinistro memento mori* da fragilidade dos seres humanos e que outros pereceram e ele não, mas seu dia chegaria.

*Memento mori é uma expressão latina que significa algo como "lembre-se de que você é mortal", "lembre-se de que você vai morrer" ou traduzido ao pé-da-letra, "lembre-se da morte"

Um dia fora beber na taverna local chamada de Ultimo Unicórnio, pois diziam que além de boa cerveja a comida era apetitosa e os preços eram bons. Lá chegando ele pode demonstrar habilidades incomuns quando salvou o bom taverneiro, Bardal e sua assistente, também sua filha, a bela Alana. Alguns arruaceiros ficaram com os ânimos exaltados quando lhes foi negado mais bebida e partiram da exaltação para a violência, porém o jovem Emyric instintivamente reagiu e contendo os agressores com suas correntes enquanto os agressores ficaram mais fracos e contidos dando tempo da guarda chegar e resolver o problema.

Desse dia em diante ele teve a gratidão de Bardal e a apreciação de Alana e claro tornou-se frequentador assíduo da taverna não só pelos pratos e pela bebida...

Os talentos de Emyric não passaram desapercebidos e do claustro ele foi encaminhado imediatamente aos cuidados da guarda real para treinamento, pois era o destino de todos aqueles que demonstram dons incomuns e agora após árduo treinamento ele estava pronto para servir e também para seguir o caminho da penitência...